[Unranked] Autocrítica, Tolerância e Dunning-Krugger

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Efeito Dunning o quê?

Dentro da comunidade de Dota 2 existe o consenso de que há mais por trás de uma partida do que simples mecânicas de jogo. Ou seja, fatores como ansiedade, tolerância, autoestima, arrogância, liderança, contam muito.

Vamos abordar alguns desses aspectos, principalmente, aqueles que se encaixam no fenômeno conhecido como o Efeito Dunning-Krugger. Antes de explicar o que é, vamos ver um contexto onde esse efeito ocorre. Imagine o seguinte bate-papo em uma partida casual:

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– Player 1: mano eu n acredito que vc fez Midas na Crystal, que sem noção

– Player 2: affe essa é minha build, cada um tem a sua. Pelo menos eu nao dou ponto na passiva do Beastmaster lvl 1, que nem vc. ISSO é sem noção.

– Player 1: pqp larga de ser noob e faz blink logo

– Player 2: vsf n00b é vc. eu faço o que quiser. to afk na base.

Você já deve ter visto um diálogo parecido com este em algumas das suas partidas de Dota 2, ou qualquer outro jogo online em times. Infelizmente, essa situação é algo recorrente no mundo dos jogos e precisa ser entendida e discutida a fundo.


Somos Todos Noobs?

Para entender o lado psicológico da conversa acima, vamos definir de vez o Efeito Dunning-Krugger. Esse fenômeno é um viés cognitivo, onde um indivíduo mal preparado ou de conhecimento limitado sobre um assunto, acredita ser superior aos outros naquela área. Podendo assim chegar a conclusões equivocadas e tomar decisões inadequadas. Familiar, não?

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São nessas discussões acaloradas sobre qual herói/item/habilidade devemos optar, que surgem pessoas com essa atitude de “sei mais que todos aqui e você é um noob”. O nosso Dota é um excelente lugar para se observar o Dunning-Kruger em ação.

Nesse mar de informações que temos de dominar para tornar-se um jogador minimamente competente, encontramos alguns “especialistas” que perdem a visão de que não somos, e provavelmente nunca seremos, mestres no Dota. E pior, ele também não é.

A atitude padrão desse tipo de sujeito é apontar o dedo na cara dos outros e começam a listar tudo que deu errado naquela partida, sem sequer pensar no que ele próprio fez, ou poderiam ter feito melhor.

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Eu já tinha feito Mekans, perdemos por sua causa

No final, cria-se uma ilusão de que estamos cercados por “noobs” e que nossa palavra é a salvação de qualquer MMR. Fazer uma análise crítica nos elevará aos céus do The Summit para sentar ao lado de Dendi e iceiceice. Claro, não estou dizendo que é impossível que alguns de nós nos tornemos jogadores profissionais. Porém, não é com a postura do Efeito Dunning-Krugger que essa meta será alcançada.

Esse comportamento não apenas atrapalha a comunidade, mas também prejudica nosso progresso como jogadores. Para qualquer um que quer melhorar, não basta apenas jogar, vencer partidas e elevar seu MMR. É uma necessidade tentar entender pontos de vista divergentes, aceitar críticas construtivas e ser capaz a criticar as próprias ações.

Uma pessoa incapaz de seguir essas ações não evoluirá, pois se fecha a novas possibilidades e não construirá conhecimento de jogo. Nunca perca de vista que, grande parte dos mobas, mmorpgs, shooters, são jogados de forma coletiva, em times ou equipes. No caso específico do Dota 2, cada vez mais o metagame exige dos jogadores uma atitude colaborativa.

Mesmo em ambientas onde jogadores profissionais circulam, o ato de achar que sabe mais que os outros é comum e geram as mesmas situações constrangedoras. Nas palavras de WehSing “SingSing” Yuen, apenas “parem de insultar os outros”.

https://youtu.be/VNMmW607aew?t=12

 


Autocrítica e pensamento coletivo: O melhor caminho da vitória

Não vou me iludir enquanto autor deste texto e pensar que só por escrever estou imune a tudo isso. Na coluna Unranked, aqui no Last Hit, já fiz três guias de itens reunindo um apanhado de todas as mecânicas básicas que um jogador precisa saber. Porém, em nenhum momento deixei de pensar que tudo o que escrevi estava correto e que eu era o dono da verdade.

No Dota 2 sabemos que a ideia de guia definitivo só dura até a próxima atualização. Questionar a mim mesmo se eu escrevi besteira, a ponto de ficar ansioso sobre a reação dos leitores, é uma prática natural.

Se não passou pela minha cabeça que Mekans caia bem no Bristleback, é porque quase nunca vi isso nos meus jogos. Também descobri que, na verdade, vale a pena comprar uma Varinha Mágica mesmo jogando na trilha do meio — isso se o seu estilo de jogo é agressivo e você se envolve em muitas lutas. Sempre vai existir uma maneira diferente de jogar com um herói, assim como vai existir uma arrogância por ter pouco mais de experiência e/ou conhecimento.

Na verdade, o que eu quero — mesmo que eu tente me certificar que os guias possuam informações corretas — é que provem, de modo construtivo, que estou errado. Também, mostrem outros caminhos que não pensei antes. Mais troca de ideias e menos imposições de verdades absolutas, mesmo quando bem embasada.

Não é legal descobrir que você tem uma opinião equivocada, mas é necessário para a construção de novos conhecimentos. Tanto para mim, quanto para os outros que acompanham o site. Não vim ditar o que é certo, mas ensinar o que eu sei e aprender com os leitores também.

Essa é uma batalha difícil, que requer um bom esforço mental. É uma luta não apenas contra o time inimigo, mas contra a si mesmo: os seus vícios, suas falhas, e principalmente, o seu ego.

Anchorman

Então vamos combater o Efeito Dunning-Krugger: Sejamos mais tolerantes com os outros, aceitemos opiniões alheias, deixemos o ego de lado e vamos crescer com os próprios erros. Melhorando, não apenas nossas habilidades e a nossa comunidade, mas no viver como seres humanos maduros.

Boa sorte e bom jogo a todos!

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