[Nameless Void] Nem tudo está perdido

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Nem toda mudança é boa, nem toda estagnação é ruim. Se algo chega ao seu limite, é natural que exista um declínio ou uma inércia mantendo o nível. Em Dota 2, isso não poderia ser diferente: as coisas estão se transformando aos poucos. Se no começo mal pudemos perceber, agora é clara a forma como o cenário do jogo está se modificando.

A questão que fica é: estamos indo para uma época de renovação ou de decadência? É complicado dizer ao certo. Vamos aos fatos: um dos mais importantes narradores atualmente, Toby “TobiWan” Dawson, anunciou que não vai mais focar os seus esforços em Dota 2. Apesar de não abandonar completamente o MOBA da Valve, o australiano agora dará mais atenção ao Counter-Strike: Global Offensive.

A grande a realidade é que estamos falando de uma comunidade extremamente infantil e imatura, como o próprio narrador descreve ao falar sobre a sua decisão. Lembrando que TobiWan lida com campeonatos de grande porte, narrando todos os The Internationals passados e outros torneios considerados de padrão alto. Mesmo assim, a toxicidade da comunidade em relação ao seu trabalho é algo que o fez repensar sobre seu futuro profissional.

Ele não é o primeiro, e nem será o último. A notícia de que a equipe NoMadTV mudará sua forma de levar as transmissões de Dota 2 e também começará a atuar em outros jogos deixou a comunidade nacional um pouco em choque. Porém, uma medida como essa é mais do que esperada para quem acompanha esse tipo de trabalho.

O cenário brasileiro é muito mais complicado que outros cenários internacionais. Há diversos problemas para lidar, como a falta de uma sustentação forte o bastante que permita o crescimento no meio.

Em relação a equipes, temos hoje em dia apenas a PaiN Gaming, e infelizmente não há a existência de um segundo time tão forte. A CNB por exemplo, encerrou as suas atividades relacionadas ao Dota 2. Não há tanto um sentimento de rivalização que crie expectativa, então é normal existir um certo desinteresse em jogos e campeonatos.

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Esperar que a Valve venha nos salvar em seu cavalo branco, não contribuir em nada e só reclamar é o cúmulo da negligência. O The International nos dá a grande ilusão de que o titio Gabe investe nesse lado, mas o que estava ocorrendo era apenas um grande atrativo para manter o público e depois continuar no marasmo.

Entretanto, a própria empresa já admitiu certos problemas na comunicação com o público, e também anunciou estar correndo atrás do prejuízo. É evidente que medidas precisam ser tomadas, contudo, como já dito, não cabe a nós ficar apenas exigindo ações e não fazer nada. De qualquer forma, com o andar da carruagem, é super necessário que os funcionários responsáveis se preocupem com isso, pois a situação chegou a um nível problemático.

Atualmente, quando há o desejo de criar novos campeonatos ou agitar a cena – seja isso em qualquer país – a Valve age sempre como uma mãe relapsa e manda uma mensagem como “faça suas coisas e me deixe em paz”. Isso teve um efeito diferente nos últimos tempos e permitiu que muitas equipes agora escolham a dedo seus torneios, graças à saturação de competições existentes.

Não apenas isso, jogadores têm se tornado, de certa forma, mimados. Não são apenas os fãs que andam complicando as coisas para o Dota, e na longa entrevista de Vitalii “V1lat” Volochai, percebe-se diversos erros no cenário atual mundial.

Todos esses fatos na verdade formam um belo efeito dominó. Canais de transmissão andam passando jogos de segundo escalão para completar as janelas por falta de campeonatos suficientemente interessantes. Obviamente isso não é tão atrativo para os espectadores, portanto claramente há a queda da renda.

Assim, existe a alternativa de transmitir outros jogos e até mesmo MOBAs com comunidades menos tóxicas (caso de Heroes of the Storm), ou estabilidade maior graças à empresa dar maior amparo (como League of Legends). A transferência para outros jogos não é algo do dia para a noite.

Lembrando que todo esse mimo por parte dos jogadores internacionais também dificulta no crescimento de cenas menores, como ocorre no Brasil. Casos como o drama do jogo entre Pain e Evil Geniuses denotam bem toda a situação. Além de precisarmos abaixar a cabeça e falar “sim, senhor” para as condições que nos são dadas lá fora, aqui dentro ainda há a necessidade de engolir um ódio e uma desunião absurdos da comunidade.

Acha as transmissões ou a equipe da NoMadTV ruins? Acha que tal jogador não é bom o bastante para estar no competitivo? Bem, todos temos opiniões – a questão é a forma como você as expõe. A crítica é necessária em todos os âmbitos, porém xingamentos são vazios e não constroem coisa alguma. E o que mais precisamos no Brasil é construir e melhorar a cena.

Mundialmente falando, eu honestamente não sei o que será do Dota. Talvez minha visão não seja tão negativa quanto a de V1lat, mas também não posso ser cega a ponto de achar que se continuar assim, tudo ficará bem. A vinda de uma Source Engine 2 não poderá e nem fará milagres e é necessário parar de esperar por essa intervenção mágica.

Sei que em relação ao cenário brasileiro, está mais do que na hora de acordarmos, parar de torcer para tudo dar errado apenas por pura raiva desmotivada e buscarmos o nosso espaço. Há sim como melhorar e crescer, e é verdade que a Valve tem um pouquinho de culpa por não dar tanto as caras por aí.

Todavia, isso não é pretexto algum para sair por aí reclamando que Gabe Newell não aparecerá com a montaria do Keeper of the Light para nos resgatar. Devemos fazer isso sozinhos, usando o que possuímos em mãos – mesmo com uma comunidade tóxica, falta de incentivo e pitadas de sal a gosto.

Portanto, boa sorte e bom jogo para nós. Vamos precisar.

Sobre o Nameless Void
Nameless Void é a coluna de reclamações, queixas e GIVE DIRETIDE de Barbara Gutierrez. Com quase seis anos de experiência nesse mundo amargo do Dotinha, ela já passou por tudo que qualquer jogadora de MOBA pode passar – e mais um pouco.
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