O outro lado do cenário profissional de Dota 2

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Não há como negar que o Dota 2 tornou-se referência mundial entre os jogos eletrônicos. Sendo um dos maiores eletronic sports (e-sports) da atualidade, atraiu muita atenção no cenário internacional, graças aos valores exorbitantes das premiações dentro de ligas e torneios. Ano após ano, o público cresce, o investimento sobe e o mundo observa com parcela de interesse essa evolução.

Parece que, afinal de contas, esse tal “vídeo game” tornou-se um negócio sério. Foi-se o tempo em que sentar frente a uma tela para jogar era apenas um passatempo. Ou, que jogadores assíduos eram vistos como viciados que não possuem vida social.

Se observarmos o Dota 2 e outras modalidades de e-sports – que incluem League of Legends, Star Craft 2, Counter-Strike, etc – dentro de uma perspectiva profissional, tal qual o futebol ou o vôlei, concluímos que há muitas semelhanças como: jogadores com rotina de treinos, campeonatos anuais, comissão técnica, rivalidade entre grandes equipes, investimento, etc.

Mas, será que tudo isso é o suficiente para que o cenário do e-sports seja encarado como o de um cenário profissional?

Será que os números que circulam atraem o olhar de grandes investidores e patrocinadores?

Todo esse contexto é suficiente para que jogos e o e-sport sejam levado a sério e de fato se quebre esse o tabu que “games são apenas passatempo”?

Maiores do Mundo?

Nas últimas semanas alguns experientes nomes do e-sports, mais especificamente do Dota 2, pronunciaram-se diante a várias questões e problemas que vem acontecendo por detrás de todo o glamour do The International 5.

Para quem ainda não sabe, o The International tem sido um dos maiores campeonatos organizados dentro da categoria. Todo ano, desde 2011, a Valve realiza o torneio em uma sede diferente. A quantidade de espectadores é grande, mas o que atordoa são as premiações acumuladas graças ao investimento do público.

Desde que o The International 4 alcançou os US$ 10 milhões, o torneio já ultrapassava grandes premiações de esportes tradicionais ao redor do mundo.

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Fonte: Banter

Recentemente o Dota 2 foi capa do periódico americano The New York Times, com a chamada “Jogos virtuais atraem grandes públicos e dinheiro”. E parece que essa tem sido a visão do mundo midiático: Dota 2 é um “jogo virtual” que atrai público e dinheiro, muito dinheiro.

Mas ainda restam perguntas: Tudo isso contribui para a profissionalização do cenário? Qual o desejo e perspectiva por parte dos jogadores? Será que os vencedores dos The International realmente ficam com essa grana toda?

Vale lembrar que no ano de 2015, o prêmio ultrapassou a marca dos US$ 15 milhões.

Estrutura x Glamour

Em entrevista, dois nomes de destaque no cenário profissional do Dota 2 trouxeram algumas verdades e opiniões à tona.

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Diante de toda euforia com a chegada do The International, Clement “Puppey” Ivanov atual capitão da equipe Team Secret, compartilhou algum otimismo, mas com críticas duras as administrações dos torneios. Um dos grandes problemas que apontou foi a falta de reconhecimento e apoio aos profissionais que praticam o e-sport.

O International, segundo ele, é apenas um caso a parte. Embora o valor da premiação seja impactante, não é a realidade que se vive ao longo do ano. Enquanto se tem um evento bem organizado, onde os jogadores tem seu devido conforto, computadores para praticar e tudo que necessitam, outros torneios menores acabam deixando muito a desejar, com raríssimas exceções.

“Voamos ao evento, às cegas, na esperança de que tudo esteja funcionando. Eu jogo para me divertir, mais do que por dinheiro. E essa diversão não existe se eu não tenho nem sequer acesso ao banheiro.”

Há situações em que os organizadores não oferecem alimentação adequada, computadores de treino ou mesmo estadia. E tudo se agrava por conta de um ponto crucial: a falta de um comitê organizador. Um ou mais órgãos responsáveis, que padronizem os eventos e estipulem requisitos mínimos para organização de torneios.

“Você não pode punir ninguém, se há falta de computadores para treino, por exemplo. Não há entidade por trás dos jogadores que puna as péssimas organizações de torneios”, salientou Puppey.

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No final das contas, os jogadores são os que mais sofrem com a falta de profissionalismo e não só por parte dos torneios. Em entrevista recente Kuro “KuroKy” Takhasomi deixou claro que a maioria dos jogadores que defendem uma organização são explorada. Enquanto a cabeça dos jogadores está somente no jogo, não há tempo para pensar nos negócios.

Os últimos acontecimentos recaem mais uma vez sobre o problema da falta de uma entidade organizadora, tal como uma “FIFA do e-sports”, que averigue as relações de trabalho estabelecidas entre jogador e organização.

Porém, em locais organizados como a China, existe uma regulamentação pesada sobre o e-sport, que gera contrapontos de comportamento e punições. É difícil convencer que o jogo pode ser um esporte quando alguns jogadores, inclusive de renome, não possuem a mesma mentalidade profissional.

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Há pouco tempo o jogador Daryl “iceiceice” Koh foi multado pela Associação Chinesa de E-Sports (ACE) por ter participado de partidas profissionais sem usar o uniforme de sua equipe. E, ao invés de compreender a seriedade da situação, ele questionou a decisão, dando a entender que a associações é um órgão inútil.

Quaisquer campeonatos de esportes tradicionais os jogadores sempre devem estar uniformizados e, dependendo do esporte, com devidos equipamentos (caneleira, chuteira, capacete, protetor oral).

Mesmo parecendo irrelevante, essa situação levanta uma questão importante sobre a profissionalização. Os jogadores estão preparados para cumprir regras básicas?

De fato o Dota 2 deixou de ser apenas um passatempo. Ele carrega, junto a outros jogos eletrônicos, a responsabilidade de dar credibilidade ao cenário. O que se espera depois das críticas feitas pelos jogadores e dos profissionais que trabalham em prol do jogo, que o Dota 2 e o e-sports em si possam encontrar o caminho para o respeito, reconhecimento e profissionalização. Isso inclui medidas que a Valve prometeu tomar. Vamos torcer.

Sobre o Autor
11427719_857916644282916_5185950759870393037_nEssa matéria foi feita pelo colaborador Davi “Del Vechio” Cavalhieri.

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