A franquia The Sims sempre dominou com folga o monopólio dos simuladores de vida. A ideia de construir sua própria casa, gerenciar famílias virtuais e instalar dezenas de mods e pacotes de expansão transformou o jogo em um marco cultural inabalável. Mas as paredes desse império começam a mostrar rachaduras, e o silêncio da EA está sendo preenchido por vazamentos internos e por uma concorrência que não está para brincadeira.
Acompanhamos há um bom tempo um insider que vinha soltando fofocas pesadas sobre o “Project X” (o próximo passo da franquia The Sims) e sobre o desenvolvimento do rival indie Paralives. Recentemente, a fonte avisou que vai parar de compartilhar certas informações sensíveis após ter sido contatada por um suposto funcionário atual da EA. A linha do que pode ou não circular nos fóruns foi cruzada quando os números detalhados de vendas das expansões do The Sims 3 e 4 começaram a vazar. O próprio leaker sugeriu que expor dados de vendas em um nível tão profundo poderia comprometer seriamente os planos de desenvolvimento da franquia para os próximos dez anos.
Muita gente na comunidade chegou a teorizar que a própria EA estaria vazando esses números de propósito, o que o insider rebateu com uma analogia bem direta sobre a indústria musical. Se um artista tem dez discos lançados e o público sabe exatamente quais venderam mal, é provável que os novos ouvintes ignorem esses projetos fracassados sem nem dar uma chance. A lógica da EA é a mesma: manter as vendas em sigilo evita que os jogadores pulem determinados pacotes de expansão puramente pela falta de popularidade. O vazador ainda deu uma alfinetada em quem duvida da sua credibilidade, lembrando que acertou na mosca detalhes orçamentários específicos dos últimos pacotes. Ele cantou a bola de que “Adventure Awaits” teve um aumento de verba enquanto “R&L” sofreu cortes sob a nova gestão, antecipando a atual estratégia da empresa de reciclar recursos meses antes do público perceber e reclamar.
Enquanto a EA lida com essa panela de pressão interna e tenta esconder a reciclagem de assets, do outro lado do mundo um gigante começa a despertar. É nesse cenário de insatisfação que entra o inZOI. Desenvolvido pelo inZOI Studio e publicado pela Krafton – a mesma produtora sul-coreana responsável pelo estrondo de PUBG: Battlegrounds –, o novo simulador chega com a promessa de aliar gráficos de ponta a sistemas de personalização absurdamente avançados.
Esqueça o visual cartunizado aos quais fomos condicionados. O inZOI roda na Unreal Engine 5, entregando um nível de fotorrealismo impressionante, com expressões faciais hiperdetalhadas e uma movimentação muito mais orgânica. A aposta tecnológica é tão alta que o jogo integra uma ferramenta de impressão 3D: você pode tirar fotos de objetos da sua casa no mundo real, escanear e replicar os itens dentro do game. A criação de movimentos também quebra barreiras, permitindo que os jogadores gerem animações personalizadas simplesmente usando comandos de texto ou vídeos de referência.
O catálogo de personalização mostra que eles querem abraçar todo tipo de jogador. São mais de 250 opções apenas na criação física dos personagens, com dezenas de variações de roupas, cortes de cabelo, acessórios e 35 tons de pele. O seu “Zoi” (apelido dado aos avatares do jogo) também precisa de um cérebro, e o sistema oferece um leque absurdo com mais de 400 traços mentais. Dá para criar um sujeito extremamente simpático ou um baderneiro de marca maior. Toda essa criatividade pode ser compartilhada na Canvas, uma plataforma nativa para conectar a comunidade global e incentivar a troca de criações.
A ambição do inZOI se expande para fora das casas e lotes. O jogo promete um mundo aberto autêntico com carros dirigíveis, um editor de cidades robusto e, surpreendentemente, a possibilidade de cometer crimes. Para amarrar a experiência, a Krafton implementou um sistema de Karma que dita o peso e as consequências das suas relações sociais, além de um recurso nativo de captura facial em tempo real (via webcam ou celular) que transfere as suas emoções instantaneamente para o rosto do seu Zoi. Com o atual rei do gênero tropeçando em suas próprias expansões, o inZOI parece ter entendido perfeitamente o que a comunidade deseja para a próxima geração.






