A Microsoft decidiu baixar os valores das assinaturas do Game Pass, uma medida direta da nova liderança para tentar reconquistar a base de fãs e ajustar a rota do setor. Asha Sharma, ex-executiva da Meta que assumiu o cargo de chefe de games no lugar de Phil Spencer em fevereiro, prometeu aos jogadores um comprometimento renovado com a comunidade. O Game Pass Ultimate, plano mais robusto que permite baixar e jogar via nuvem no PC, consoles e dispositivos móveis, caiu de US$ 29,99 para US$ 22,99 mensais. Já a versão de PC passou de US$ 16,49 para US$ 13,99.
Essa mudança acontece depois de a própria Sharma admitir internamente que o serviço estava caro demais. O movimento reverte parcialmente o cenário do ano passado, quando a empresa havia elevado o preço do Ultimate em dez dólares, chegando a divulgar a marca de 34 milhões de assinantes globais no início de 2024.
O peso nos cofres e o futuro de Call of Duty
Apesar do alívio no bolso dos assinantes, existe uma contrapartida importante. Os próximos lançamentos da gigantesca franquia “Call of Duty” não vão mais estrear direto no catálogo do Game Pass. Quem quiser jogar logo no lançamento vai precisar desembolsar os tradicionais US$ 69,99 ou aguardar até as festas de fim de ano seguintes para que o título finalmente entre no serviço.
Tudo isso reflete uma tentativa clara de reorganizar o modelo de negócios do Xbox. O setor de games representou apenas 7% da receita total da Microsoft no quarto trimestre, registrando uma queda de 10% em relação ao ano anterior, contrastando fortemente com o crescimento de áreas como a nuvem Azure e o LinkedIn. Além disso, as vendas de hardware despencaram 32% após a empresa cancelar o desenvolvimento de “Everwild” e “Perfect Dark”. Para agravar o cenário financeiro, a diretora financeira Amy Hood confirmou perdas no setor, que tinha acabado de inchar após a compra de US$ 75,4 bilhões da Activision Blizzard.
Fãs resolvem problemas deixados para trás
Enquanto a nova diretoria foca em equilibrar as contas, a comunidade de jogadores tomou para si a responsabilidade de resolver problemas técnicos antigos que acabaram esquecidos. Se você já tentou jogar algum título da era do Windows 8 pelo aplicativo do Xbox no PC, provavelmente já esbarrou num bug onde o jogo simplesmente se recusa a conectar aos serviços online.
O que ocorre é que a Microsoft desativou silenciosamente os antigos tokens de autenticação do padrão “XBL2.0”, usados por jogos daquela geração para se comunicar com os servidores. Como o sistema migrou para o formato XBL3.0, os títulos de meados da década passada até instalam e abrem normalmente. O problema começa na hora de logar: o servidor devolve o erro “HTTP 401 token_required”. A partir daí, a tela de autenticação trava e recursos dependentes da Xbox Live, como conquistas, lista de amigos, placares e até a foto de perfil, simplesmente apagam.
Uma ponte para o passado
Jogos como Microsoft Mahjong, Minesweeper, Hydro Thunder Hurricane, Assassin’s Creed Pirates, Dragon’s Lair e Ty the Tasmanian Tiger estão na lista de afetados. Para contornar esse abandono técnico, um grupo criou no GitHub o projeto “Xbox Collection Tracker”. O objetivo é traduzir as requisições do antigo sistema XBL2.0 para o padrão atual, fazendo com que o jogo consiga conversar com os servidores do Xbox e volte a funcionar como deveria.
A grande sacada dos desenvolvedores foi provar que é possível fazer essa ponte de forma limpa. A ferramenta usa apenas APIs públicas e documentadas, eliminando qualquer necessidade de engenharia reversa em servidores privados, injeção de processos, falsificação de IDs de cliente ou modificação de arquivos binários.
O recado para a equipe de engenharia do Xbox é direto. Os criadores do projeto querem mostrar à liderança da empresa que a solução é simples: basta implementar essa camada fina de tradução nos próprios servidores da Microsoft. Embora a ferramenta atual seja uma excelente prova de conceito, a comunidade espera que a gestão de Asha Sharma não apenas olhe para o futuro com os novos preços do Game Pass, mas também reconheça que a preservação desses clássicos do PC pode ser resolvida internamente, sem grandes obstáculos técnicos.










